Especial
GuiaSP entrevista o ator Gregório Duvivier do espetáculo "Z.É - Zenas Emprovisadas".
Por Edson Castro
Nos últimos anos, a comédia brasileira vem se revitalizando e ganhando diversas novas caras. Primeiro veio o (atrasado) surgimento da comédia stand-up por aqui, para, logo na seqüência, os jogos teatrais cômicos, claramente inspirados no programa americano “Who’s line it anyway?”, tomarem conta dos palcos.
Esta semana, O espetáculo ZÉ – Zenas Emprovisadas , fenômeno de público e crítica no Rio de Janeiro, chega a São Paulo para duas apresentações especiais, e o GuiaSP entrevistou um dos membros do grupo, o ator Gregório Duvivier.
Já chamado de “a nova cara da comédia brasileira”, a ator e poeta, concilia diversos trabalhos na TV, cinema e teatro, mas um de seus trabalhos de mais destaque foi no filme “Apenas o Fim” (Você confere nossa entrevista com o diretor Matheus Souza aqui.
). Você confere abaixo nossa entrevista com o ator onde ele fala um pouco mais do Z.É., de “Apenas os fim”, do seu divertidíssimo seriado “Os buchas” e sobre seu próximo projeto no cinema “Podia ser pior”.

GUIASP - Como funcionam os ensaios para o espetáculo Z. É?
Gregório Duvivier - É mais um treino do que um ensaio. Nos reunimos e simulamos situações reais, com a ajuda da Assistente de direção Daniela Ocampo, que faz as vezes da platéia. O papel dela é muito importante porque a improvisação precisa daquilo que chamamos de plataforma, que é a sugestão a partir da qual a cena vai se desenrolar.
Com tantas apresentações do espetáculo como vocês fazem para renová-lo e mantê-lo inovador?
Não podemos nunca nos acomodar. O espetáculo só funciona se estivermos o tempo todo na corda bamba. Se não ficarmos nervosos, sem frio na barriga, se tivermos certeza de que tudo vai dar certo, aí perde a graça. Estamos nisso pelo risco.
Como vocês fazem para lidar com dias sem inspiração? Você já teve algum bloqueio no meio de uma apresentação?
Não, nunca. Nos dias sem inspiração, a gente fala o que der na telha com convicção que vai funcionar. E funciona, quase sempre...
E quando o espetáculo não tem graça? Como vocês lidam com a platéia?
Pode haver uma graça na falta de graça. Se isso for exposto ao publico, muitas vezes a piada que não funciona vira uma piada genial. No ZE, o publico vê a piada nascer, então isso já gera uma relação afetiva do espectador com a piada. O espectador é co-criador do espetáculo, então ele também esta louco para que de certo.
Tanto em “Apenas o fim” como em “Os buchas” você interpreta um personagem nerd. Você se identifica com este tipo de papel?
O cômico está tradicionalmente ligado à inadequacao, ao gauche. Gosto de personagens socialmente desajustados, porque a comedia esta aí. Me identifico muito mais com Steve Carell e Bill Murray do que com Schwarzenegger e Stallone.
Você varia muito em atuações em filmes, televisão e teatro, mas qual destas mídias é sua favorita? Por quê?
O teatro é o que mais me fascina pela troca imediata com o espectador. No cinema, você faz um filme como quem joga uma mensagem na garrafa. A resposta volta, quando volta, com anos de atraso. O teatro não existe fora do momento presente, pois se alimenta do instantâneo, e o ZE é a maior prova disso. E é por isso que faz sucesso ate hoje: porque ele se alimenta do agora.
Alguma novidade sobre o lançamento de "Podia ser Pior"?
Ainda não vi. Mas tudo indica que vai ser uma comedia como nunca antes na história desse pais. Não podia ser melhor.
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