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Especial "Cachorro Morto"

Por Edson Castro

“O quanto as pessoas ditas normais conseguem olhar com esse olhar diferente e ter respeito pelo ser humano.Se o outro tem um problema e eu não poder compreender eu vou pelo menos entender. A partir do momento em que você entende você tem outro olhar e ai pode tentar se colocar na mesmo situação. Só assim você se torna um ser humano que respeita o próximo”, diz Sônia Pineda, psicanalista convidada pelo GuiaSP para assitir o espetáculo Cachorro Morto.

A Cia. Hiatos concebeu peça inspirada no livro “Estranho caso do cachorro morto” de Mark Haddon. No livro, Christopher é um menino de 15 anos que sofre de síndrome de Asperger. Ele é expert em matemática, adora verdades absolutas e detesta contato físico com outras pessoas. Mas sua vida sofre uma virada quando é acusado de assassinato do cachorro de sua vizinha, Wellington.

Ponto de Partida

Mas para explicar melhor como o roteiro foi concebido conversamos com o diretor e autor do texto, Leonardo Moreira, que explica: ” Tudo começou com dois livros de calculos. Primeiro foi “Em defesa de um matemático” , onde eu comecei a explorar as relações dos números primos, aqueles que não tem padrão na matemática o que me fez parar na obra “Em busca dos números primos”. Paralelamente eu vinha fazendo um curso na AMA (Associação de Amigos do Autista), onde eu entrei em contato com o livro do Marc Haddon.”

Logo depois disso, o grupo desconstruiu a narrativa da obra, inserindo os textos matemáticos e diluindo o protagonista Christopher por 5 atores, que também foram visitar a AMA, onde acompanhavam aulas e faziam um workshop corporal.

Sonia Pineda, explica melhor quão importante isso foi para retratar fielmente um portador de autismo: <” Fiquei impressionada como eles foram brilhantes na peça e abordaram de uma forma tão verdadeira, fruto de uma pesquisa de campo ardua, tudo para representar o papel de um sindrômico. O modo como eles retrataram um garoto autista foi super fiel e emocionante: a obssesividade, a ecolalia a dificuldade em encontrar aceitamento social. Vi situações que eu já vivi no consultório.”

”Ser especial”

“O que a gente considera adequado e não adequado para a Sociedade? Você avalia uma pessoa por seu comportamento social: não reconhecer emoção, comportamento inadequado, entre outras. O quanto eu não sou inadequado? Buscamos não apontar uma diferença mas sim discutir quem empurrou tudo isso para a gente.” diz Leonardo. Mais do que uma obra sobre um autista, a peça se propõe a discutir nosso papel como sociedade. O diretor ainda completa: “Eu comecei a estudar o tema pois achei que eu também me encaixasse nesse perfil. Todas caracteristicas batiam. Eu era uma criança que não tinha amigos, nunca aparecia em um foto sorrindo, gostava de matemática e todo mundo achava esquisito. E se eu tivesse sido diagnosticado? E se eu fosse rotulado? Eu não estaria aqui hoje. Minha vida teria sido molada em torno desse padrão comportamental.”

Sonia também comenta a questão do preconceito com pacientes autistas: “As pessoas só passam a entender o outro lado quando elas começam a conviver com isso de perto, quando tem algum caso na família, e mesmo assim alguns se afastam.” Isso resume bem a temática da peça. Mais do que apontar um paciente autista, o grupo foca em retrata-lo com dignidade e sem preconceito.

Para aquele interessado na obras, é bom saber que ecentemente o elenco voltou para o AMA junto a um cineasta que está fazendo um documentário sobre a peça. Lá gravaram depoimentos desses autistas e dos atores, misturando real com o ficcional. Mais um prova de que a Cia. Hiatos está não só interessada em entreter, mas também em retratar e conscientizar sobre um tema que permanece com tabu na sociedade. Este novo trabalho ainda não tem previsão de lançamento.

Com direção e texto de Leonardo Moreira Cachorro Morto tem no elenco Aline Filócomo, Bruno Freire, Luciana Paez, Maria Amélia Farah e Thiago Amaral.

Confira abaixo nossa galeria EXCLUSIVA do espetáculo:


















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Informações
Especial "Cachorro Morto"
Horário: Ter. e qua.: 21 h.
Preço: Uma lata de Leite em Pó ou R$10
Local: Teatro Imprensa

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